Em propriedade de São Valentim, vice-presidente da Farsul teme falta de diesel para colher a soja

Em propriedade de São Valentim, vice-presidente da Farsul teme falta de diesel para colher a soja

Foto: Vinicius Becker (Diário)

O conflito dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã vem causando reflexos no interior do Estado e está chegando cada vez mais perto de Santa Maria. Por aqui, há um temor entre produtores com a aproximação da colheita da soja que, após cinco anos de perdas, pode voltar a ter uma boa safra. É o que diz um dos vice-presidentes da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Sérgio Renato Rossi, 70 anos, que possui propriedade no Distrito de São Valentim, em Santa Maria.


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Quem utiliza a BR-158 em direção a Rosário do Sul, ao lado da Cotrijuc, encontra campos com uma boa plantação de soja. É ali que fica uma das propriedades de Renato, que também é presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores de Toropi (Coomat). Em um dos galpões da propriedade (foto abaixo), ficam dois galões que têm capacidade de armazenar 8 mil litros de diesel. Para colher a soja, que pode ficar pronta para colheita em um pouco mais de 20 dias, o produtor precisa de 18 mil litros. Atualmente, há disponíveis 5 mil litros, com os quais é possível colher por dois dias. Mas, por enquanto, não há expectativa de chegar mais combustível até a propriedade, já que está difícil conseguir o produto nas distribuidoras de Santa Maria.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Na semana passada, a reportagem ouviu alguns caminhoneiros e distribuidores que relataram a falta de liberação para distribuição para o que chamam de TRR (Transportador Revendedor Retalhista), que é a prática de comprar diesel de distribuidoras e entregá-lo diretamente a empresas, frotas e máquinas, sem operar posto aberto ao público.


– Já temos 16% da área do Rio Grande do Sul colhida e com a produtividade 500 kg menor que do ano passado, os preços estão totalmente achatados e hoje nós chegamos a essa grande expectativa, essa grande notícia da falta do diesel. Isso aí tem nos criado um clima de pavor no produtor rural gaúcho, de um modo geral, porque é uma preocupação de nós chegarmos na hora sagrada da nossa lavoura, que é a colheita, e nós não termos diesel para colher. Então, é uma preocupação muito séria – comenta.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

Para cobrar explicações sobre a falta de diesel, o presidente da federação, Domingos Velho Lopes, cobrou da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) explicações sobre a falta do produto:


– Eles deram uma notícia favorável de que não haverá falta de diesel. Há um momentâneo desabastecimento, mas está sendo feito um esforço para regularizar – afirma o vice-presidente.


Renato, que também é presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores de Toropi (Coomat), disse que, ao ouvir os demais produtores da região, confirmou o cenário geral de incerteza. O produtor que comprava, antes da guerra, o diesel a R$ 5,20, hoje compra a mais de R$ 7. A falta de informação clara sobre por qual motivo não está sendo liberado o diesel é uma das perguntas que os produtores fazem.

Foto: Vinicius Becker (Diário)

– Então, é essa incerteza, essa insegurança que cria um clima de pavor na sociedade agrícola em geral. Mas, por parte das distribuidoras, não há uma informação oficial. As distribuidoras, quando a gente liga para lá perguntando, não dão o preço, não garantem e não garantem a data de entrega – afirma.


Além do diesel, a guerra trouxe mais de um impacto. Os insumos que compõem a produção também sofreram e já registram aumentos no preço. Os adubos e os nitrogenados servem para a paridade da produção. Com a colheita à vista e a plantação de pastagens após a colheita, surge mais um motivo de preocupação.


– É a questão dos adubos. Os nitrogenados, principalmente, estão com os preços muito alterados. A ureia, que é um insumo básico agora para nossas pastagens, está nos trazendo também uma grande preocupação.


Por fim, Renato disse que a guerra no Oriente Médio tem provocado incerteza no mercado de insumos agrícolas, especialmente pela alta no frete marítimo e pelo risco de alteração de preços de fertilizantes importados. Grande parte da ureia, utilizada na produção agrícola, é importada da região do Oriente Médio, o que aumenta a preocupação do setor.


Aumento do diesel

Foto: Vinicius Becker (Diário)

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras, com vigência a partir de sábado (14). O valor médio do diesel A passa a R$ 3,65 por litro, enquanto a participação da estatal no preço do diesel B, vendido nos postos, será em média de R$ 3,10.

Segundo a companhia, o reajuste ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, pressionado pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O preço do barril tipo Brent subiu cerca de 40% em duas semanas, aproximando-se de US$ 100.

Para reduzir o impacto, o governo federal zerou PIS e Cofins sobre o diesel e autorizou subvenção de até R$ 0,32 por litro, medidas que podem gerar alívio total de R$ 0,64 no preço ao consumidor.

A Petrobras informou ainda que o último ajuste no diesel havia ocorrido em maio de 2025, quando houve redução. Desde dezembro de 2022, segundo a estatal, o preço do combustível para distribuidoras acumula queda de R$ 0,84 por litro (29,6%), considerando a inflação.


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